Troca de mensagens entre banqueiro e ministro do STF entra no radar de investigação federal
06 de mar de 2026 - 11:10:28

Por: Melquisedeque J. Santos | MTB: 0098469/SP | Vale Jornalismo Online

Uma troca de mensagens encontrada pela Polícia Federal abriu um novo capítulo nas investigações que envolvem o escândalo do Banco Master e colocou no centro da discussão o nome do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

Os diálogos foram identificados no celular do empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Segundo os investigadores, as mensagens foram trocadas em abril de 2025 entre o banqueiro e sua então noiva, a influenciadora Martha Graeff. Em um dos trechos, Vorcaro afirma que estava a caminho de um encontro com alguém identificado como “Alexandre Moraes”.

A conversa registrada às 17h22 do dia 19 de abril de 2025 mostra o empresário enviando a mensagem:
“Estou indo encontrar Alexandre Moraes aqui perto de casa”.
A interlocutora, surpresa, pergunta se o ministro estaria na cidade ou se havia ido especificamente para vê-lo. Vorcaro responde apenas que ele estava “passando o feriado”.

Segunda menção ao encontro

De acordo com documentos analisados pelas autoridades, dez dias depois há outra referência ao nome do ministro. Em nova conversa, Vorcaro participa de uma chamada de vídeo com sua companheira e, ao ser questionado sobre quem estava com ele, responde novamente: “Alexandre Moraes”.

Os investigadores também analisam a possibilidade de encontros presenciais entre o banqueiro e o magistrado em 2025, inclusive na residência do empresário em Brasília.

Relação com investigações do Banco Master

O caso ocorre em meio às apurações que envolvem o Banco Master, instituição financeira investigada por suspeitas de irregularidades financeiras e possíveis conexões com autoridades públicas.

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF. O acordo teria valor superior a R$ 129 milhões, embora o gabinete do magistrado tenha informado anteriormente que o escritório não atuou em operações relacionadas à venda do banco.

Mensagens ampliam debate político

A existência das mensagens reacendeu o debate político em Brasília. Parlamentares e especialistas em direito público passaram a discutir se os diálogos podem justificar a abertura de uma investigação formal para esclarecer a natureza da relação entre o banqueiro e o ministro.

Até o momento, o ministro Alexandre de Moraes não comentou diretamente o conteúdo das mensagens divulgadas, e o caso segue sendo analisado dentro das investigações conduzidas pela Polícia Federal.

O que ainda precisa ser esclarecido

Especialistas ouvidos por analistas políticos apontam que três questões centrais ainda precisam ser respondidas:

Se os encontros citados nas mensagens realmente ocorreram.

Qual seria a natureza da relação entre o empresário e o ministro.

Se houve ou não influência institucional nas investigações ou decisões envolvendo o Banco Master.

Enquanto essas respostas não surgem, o episódio aumenta a pressão sobre as instituições e amplia o debate sobre transparência nas relações entre autoridades públicas e o setor financeiro.