Por: Melquisedeque J. Santos | MTB: 0098469/SP - Vale Jornalismo Online
Iguape não viveu apenas um evento nesta segunda-feira (30). Viveu um posicionamento.
A caminhada “A Voz Delas”, iniciada às 17h30 em frente ao Paço Municipal, tomou as ruas da cidade e seguiu até a Praça São Benedito, em frente à igreja, atravessando o fim de tarde e avançando pela noite com uma mensagem que não precisava de discursos longos para ser compreendida: presença também é linguagem.
O que começou como uma mobilização simbólica rapidamente se revelou algo maior. Mulheres de diferentes idades, histórias e realidades caminharam juntas, ocupando o espaço público com algo que historicamente lhes foi negado em muitos momentos — visibilidade, escuta e pertencimento.
Não era apenas uma caminhada. Era uma afirmação.
Ao longo do trajeto, o silêncio de alguns passos dizia mais do que qualquer fala: havia ali histórias que não cabem em estatísticas, experiências que não se resumem a datas comemorativas e vozes que já não aceitam mais ficar à margem.
Ao chegar na Praça São Benedito, em frente à igreja, o evento ganhou forma mais ampla, mantendo sua essência popular. A apresentação da Banda Municipal Maestro Aquilino Jarbas de Carvalho trouxe um clima de celebração, enquanto o ato de representação das mulheres deu rosto e voz à diversidade feminina presente na cidade — da educação à saúde, do campo à segurança, da tradição à contemporaneidade.
O lançamento do projeto “Praça 8 de Março” reforçou o movimento iniciado nas ruas: não basta reconhecer, é preciso estruturar. Não basta homenagear, é necessário garantir espaço.
Há uma diferença clara entre celebrar e legitimar. E o que se viu em Iguape foi um passo na direção da legitimidade.
Promovido pela Prefeitura, o evento cumpre seu papel institucional. Mas o que realmente marcou a noite não foi a programação — foi o que ela revelou: uma cidade em movimento, onde as mulheres não apenas participam, mas ocupam, constroem e exigem ser vistas.
Porque quando a voz das mulheres deixa de ser convite e passa a ser presença, ela não pede espaço — ela redefine o espaço.
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