Vírus Nipah reaparece fora do eixo histórico e coloca Índia em alerta máximo
26 de jan de 2026 - 21:23:22

Por: Melquisedeque J. Santos | MTB: 0098469/SP | Vale Jornalismo Online

A confirmação de um novo surto do vírus Nipah em Bengala Ocidental, no leste da Índia, reacendeu o alerta das autoridades sanitárias nacionais e internacionais. A ocorrência, registrada em janeiro de 2026, chama atenção por romper um padrão já conhecido: historicamente, os casos da doença se concentravam no estado de Kerala, no sul do país.

De acordo com informações oficiais, cinco pessoas testaram positivo por meio de exames laboratoriais RT-PCR. Entre os infectados estão profissionais da área da saúde, o que elevou o nível de preocupação quanto à possibilidade de transmissão dentro de unidades hospitalares. Os casos estão concentrados na região de Calcutá e no município vizinho de Barasat, onde o surto teria se iniciado em um hospital privado.

Como medida preventiva, mais de cem pessoas que tiveram contato direto ou indireto com os pacientes estão sendo monitoradas ou mantidas em quarentena, incluindo familiares, pacientes e equipes médicas.

Doença grave e sem cura conhecida

O vírus Nipah pertence à família Paramyxoviridae e é considerado um dos patógenos mais perigosos em circulação atualmente. A taxa de mortalidade elevada, que pode ultrapassar 70% em alguns surtos, e a ausência de tratamento específico ou vacina tornam o controle da doença um desafio crítico para os sistemas de saúde.

Pacientes infectados podem apresentar sintomas que variam de febre e confusão mental a quadros graves de encefalite e insuficiência respiratória. Nos casos mais recentes, duas profissionais de enfermagem permanecem em estado grave, recebendo suporte intensivo.

Investigação aponta origem zoonótica

As investigações epidemiológicas indicam que o contágio inicial pode estar relacionado ao consumo de seiva de tâmara crua, alimento tradicional em algumas regiões da Índia. Essa substância pode ser contaminada por morcegos frugívoros do gênero Pteropus, reconhecidos como reservatórios naturais do vírus.

Além da transmissão de animais para humanos, o Nipah também pode se espalhar entre pessoas, principalmente por meio de contato com secreções corporais, o que explica o risco ampliado em ambientes hospitalares.

Resposta emergencial e atenção global

Diante do cenário, o governo indiano mobilizou equipes especializadas para rastreamento de contatos, reforço de protocolos de biossegurança e isolamento de casos suspeitos. A situação passou a ser acompanhada de perto por organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde, além de autoridades sanitárias de outros países asiáticos e europeus.

O reaparecimento do vírus em uma região que não registrava casos há quase duas décadas acende um sinal de alerta: doenças consideradas raras continuam circulando silenciosamente e podem ressurgir fora dos mapas tradicionais.

Enquanto autoridades monitoram a evolução do surto e analisam possíveis mutações do vírus, a orientação permanece clara: detecção precoce, informação transparente e resposta rápida são as principais barreiras contra a disseminação de um patógeno que não admite erro operacional.