Por: Melquisedeque J. Santos | MTB: 0098469/SP - Vale Jornalismo Online
Iguape (SP) viveu, nesta sexta-feira (20), um momento importante para o futuro da região. Foi apresentada oficialmente a Rede Terra-Mar, iniciativa que nasce com força institucional e foco direto em quem sustenta o território: pescadores artesanais e agricultores familiares do Vale do Ribeira.
O projeto conta com apoio da Fundação Banco do Brasil, em parceria com o BNDES, dentro do Programa Ecoforte, e representa um investimento estratégico voltado à geração de renda, inclusão produtiva e fortalecimento das comunidades tradicionais.
O encontro aconteceu na sede da Cooperpesca, reunindo representantes do governo federal, entidades parceiras e os próprios trabalhadores da pesca. Mais do que um evento formal, foi um momento de escuta, troca e, principalmente, de construção coletiva.
Na prática, a Rede Terra-Mar propõe algo simples, mas poderoso: conectar o que vem do mar com o que vem da terra. A ideia é integrar a pesca artesanal à agricultura familiar, criando um sistema produtivo mais forte, sustentável e capaz de agregar valor aos produtos locais.
Entre as ações previstas estão a modernização de agroindústrias, o fortalecimento da cooperativa e a adoção de práticas agroecológicas. Isso significa não só melhorar a produção, mas também abrir novos mercados e aumentar a renda das famílias.
A parceria entre a Fundação Banco do Brasil e o BNDES reforça um modelo de desenvolvimento que olha para o território com respeito. Não se trata apenas de investir recursos, mas de apoiar um modo de vida, preservar saberes tradicionais e garantir que o crescimento econômico caminhe junto com a sustentabilidade.
Para os pescadores da região, o projeto chega em um momento decisivo. Há anos, a categoria enfrenta desafios como a instabilidade da renda, a dificuldade de comercialização e a falta de estrutura adequada. Agora, com apoio institucional mais consistente, a expectativa é de mudança real.
A Cooperpesca, que há mais de 20 anos organiza a atividade pesqueira em Iguape, ganha ainda mais protagonismo. A entidade se consolida como peça central nesse novo ciclo, funcionando como ponte entre produção, beneficiamento e mercado.
Outro ponto que ganha destaque é o reconhecimento do papel da pesca artesanal. Além de garantir alimento na mesa de muita gente, essa atividade ajuda a preservar o equilíbrio ambiental de uma das regiões mais importantes da Mata Atlântica.
Durante o evento, ficou claro que iniciativas como essa só avançam quando há articulação entre diferentes setores. Governo, instituições financeiras, cooperativas e comunidades precisam caminhar juntos.
Mas, no fim das contas, o que mais marcou não foram os discursos oficiais. Foi o sentimento de quem vive da pesca todos os dias.
Entre os pescadores e pescadoras, a palavra mais repetida foi esperança. Esperança de ter o trabalho valorizado, de conseguir produzir com mais dignidade e de enxergar um futuro mais estável para suas famílias.
Iguape dá mais um passo importante e mostra que o desenvolvimento de verdade começa quando se reconhece o valor de quem está no território.
Assista à matéria na íntegra abaixo: