Por: Melquisedeque J. Santos | MTB: 0098469/SP - Vale Jornalismo Online
O Vale do Ribeira acaba de alcançar um marco histórico para sua produção agrícola. A região conquistou o registro de Indicação Geográfica (IG) de Procedência para a banana das variedades Cavendish (Nanica) e Prata, em reconhecimento oficial publicado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) no dia 14 de abril de 2026. A certificação confirma que a fruta cultivada no território carrega características próprias, reputação consolidada e vínculo direto com a origem regional.
O pedido foi apresentado pela Associação dos Bananicultores do Vale do Ribeira (Abavar) e contempla produtores de 17 municípios paulistas: Barra do Turvo, Cajati, Cananéia, Eldorado, Iguape, Iporanga, Itaóca, Itariri, Jacupiranga, Juquiá, Miracatu, Pariquera-Açu, Pedro de Toledo, Registro, Ribeira, Sete Barras e Tapiraí. Ao reconhecer a procedência da banana produzida nessas cidades, a IG passa a funcionar como um selo de identidade territorial, agregando valor ao produto e protegendo a reputação construída ao longo de décadas.
A conquista também evidencia um trabalho técnico e institucional que se estendeu por anos. Segundo informações divulgadas pelo Sebrae-SP, o processo contou com apoio estratégico da instituição, que ajudou a estruturar os estudos, organizar a cadeia produtiva e viabilizar a elaboração do Caderno de Especificações Técnicas, documento que define os padrões de cultivo, manejo, processamento e boas práticas exigidos para o reconhecimento. O material foi desenvolvido com apoio do Instituto Federal de São Paulo, dentro de uma articulação que envolveu ainda cooperativas, entidades do agro e lideranças regionais.
Mais do que um selo, a Indicação Geográfica projeta um novo posicionamento para a banana do Vale do Ribeira. A gerente regional do Sebrae-SP, Michelle dos Santos, destacou que o reconhecimento fortalece a cadeia produtiva, movimenta o turismo, gera emprego e renda e valoriza os saberes de quem vive e trabalha no território. Já o presidente da Abavar, Augusto Aranha, lembrou que a mobilização começou em 2019 e exigiu a reunião de dados e informações de toda a região, num esforço coletivo para consolidar a imagem da banana como produto com identidade própria.
Na prática, o reconhecimento chega para uma atividade que sustenta parte importante da economia regional. A bananicultura é apontada como a principal atividade econômica do Vale do Ribeira, com cerca de 50 mil pessoas envolvidas entre empregos diretos e indiretos. De acordo com os dados divulgados no material de apoio do setor, a região produz mais de 850 mil toneladas de banana por ano, o equivalente a quase 80% da produção estadual, reforçando o peso do Vale dentro do cenário paulista e nacional.
Os números ajudam a explicar a dimensão dessa conquista. Municípios como Cajati, Eldorado e Sete Barras concentram parte expressiva da produção regional, enquanto a capital paulista segue como principal mercado consumidor da banana do Vale. Ao mesmo tempo, o setor enxerga espaço para ampliar presença em mercados externos, especialmente na Ásia, Europa e América do Sul. Nesse contexto, a IG surge como uma ferramenta importante para diferenciar o produto, ampliar competitividade e comunicar ao consumidor que aquela fruta tem procedência reconhecida.
Há ainda um fator que pesa diretamente nessa reputação: o território. O Vale do Ribeira reúne alta umidade, temperaturas estáveis, solos ricos em matéria orgânica e ampla presença de Mata Atlântica preservada. Esse conjunto favorece o desenvolvimento da fruta e contribui para atributos como sabor mais doce, polpa macia, aroma intenso e boa resistência da casca, características que ajudam tanto na aceitação do mercado quanto no transporte e na conservação do produto.
A partir de agora, o desafio deixa de ser apenas técnico e passa a ser também estratégico. O setor produtivo terá pela frente a missão de organizar o uso do selo e construir uma campanha capaz de fazer o consumidor reconhecer e valorizar a banana do Vale do Ribeira como um produto com origem certificada. Em uma região que historicamente busca conciliar produção, preservação ambiental e agricultura familiar, a nova IG representa mais do que reconhecimento formal. Ela consolida a banana como símbolo econômico, cultural e territorial do Vale.
Fonte: Mônica Beatriz Bockor
Assessoria de Imprensa a serviço do Sebrae-SP