Por: Melquisedeque J. Santos | MTB: 0098469/SP | Vale Jornalismo Online
Entre o som antigo das rabecas e o frescor das novas harmonias, nasceu “Entre Arcos”, um encontro entre mundos — o do mestre fandangueiro Zé Pereira, guardião da tradição caiçara, e o do músico e pesquisador Felipe Gomide, referência na cena paulistana.
O álbum, lançado em 15 de outubro, é mais que um registro sonoro: é um elo entre passado e futuro da cultura popular brasileira.
Gravado ao vivo nos estúdios da Mandril Áudio, em São Paulo, o disco traz 11 faixas inéditas e foi produzido por Gomide em parceria com Rodrigo Ramos. Cada faixa é um mergulho nas águas simbólicas do litoral sul paulista — onde o mar, a pesca e a dança se misturam à fé e à festa.
“Venho de uma infância dura, onde o Fandango era a alegria. Quando chegava a tarde, a gente pegava na viola e o pessoal cantava”, conta seu Zé Pereira, natural do Ariri, em Cananéia.
“Quando eu pego na viola, primeiro pego no braço. Primeiro eu peço licença, pra então saber o que eu faço”, completa, com a sabedoria simples e profunda de quem faz da música um ato sagrado.
O projeto nasce dessa ponte entre gerações. Felipe Gomide, encantado com o Fandango e sua sonoridade quase medieval, viu em Zé Pereira uma escola viva. “A música é só uma parte. O Fandango tem o bailado, o tamanqueado, a fé, a devoção a São Gonçalo... é uma manifestação completa”, explica o músico, que descobriu o Ariri ao seguir as pegadas do mestre.
Com arranjos que unem rabeca, pífano e instrumentos de concerto, o álbum traz participações de Ariane Rodrigues (flauta), Natanael Souza (acordeon), Henrique Gomide (piano), Ana Eliza Colomar (cello) e Gedeão Soares (percussão). O resultado é uma tapeçaria sonora de cores, texturas e pulsações, onde tradição e contemporaneidade dançam de mãos dadas.
Mas “Entre Arcos” não se limita ao estúdio. O projeto se desdobra em shows e oficinas em três cidades — São Paulo, Iguape e Cananéia — e numa série documental que será lançada nas redes, com entrevistas, bastidores e cenas captadas nas comunidades caiçaras.
A proposta é simples e poderosa: aproximar o público urbano da alma do Fandango, mostrando que o Brasil profundo ainda pulsa com força, mesmo quando o tambor é substituído pelo fone de ouvido.
Mais do que um álbum, “Entre Arcos” é um manifesto. Um lembrete de que cultura não se arquiva — se vive, se canta, se compartilha.
SERVIÇO – LANÇAMENTO “ENTRE ARCOS”
São Paulo – 04/11, às 19h
Centro Cultural São Paulo – Sala Adoniran Barbosa
Rua Vergueiro, 1000 – Liberdade
Gratuito
Iguape – 08/11, às 20h
Fábrica de Cultura de Iguape
Praça Engenheiro Greenghalgh, 01 – Centro Histórico
Gratuito
Cananéia – 09/11, às 20h30
Praça Martim Afonso de Sousa
(em caso de chuva: Casa Caiçara Prefeito Armando Lisboa da Veiga)
Gratuito
Fonte: Flora Miguel - Imprensa / DA LIRA CULTURAL