Por: Melquisedeque J. Santos | MTB: 0098469/SP - Vale Jornalismo Online
A Venezuela segue em estado de alerta após dois fortes terremotos atingirem o país na noite desta quarta-feira (24). Os abalos, registrados com menos de um minuto de intervalo, provocaram destruição em diferentes regiões, deixaram moradores nas ruas e mobilizaram equipes de resgate durante a madrugada e a manhã desta quinta-feira (25).
De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o primeiro tremor teve magnitude 7,2 e foi registrado por volta das 19h04, no horário de Brasília, próximo à região de Yumare, com profundidade aproximada de 20 km. Poucos segundos depois, um segundo terremoto, ainda mais forte, de magnitude 7,5, atingiu a mesma faixa do norte venezuelano, a cerca de 10 km de profundidade. Pela intensidade e pela baixa profundidade, os tremores foram sentidos com força em áreas urbanas e costeiras.
Após os dois principais abalos, novas réplicas foram registradas ao longo da madrugada. Segundo dados atribuídos à Fundação Venezuelana de Pesquisas Sismológicas, os tremores secundários tiveram magnitudes menores, mas mantiveram a população em alerta, especialmente nas regiões próximas a La Guaira, Naiguatá, Aragua e Falcón. Áreas como Los Caracas, Maracay e Boca de Aroa também aparecem entre os pontos monitorados pelas autoridades.
O balanço oficial divulgado pelo governo venezuelano aponta ao menos 164 mortos e mais de 970 feridos. As autoridades admitem, no entanto, que os números podem aumentar conforme as equipes consigam chegar às áreas mais atingidas e avançar na retirada de pessoas presas sob os escombros. La Guaira, região costeira próxima a Caracas, é apontada como uma das áreas mais afetadas.
A presidente interina Delcy Rodríguez informou que equipes de resgate foram deslocadas para pontos críticos e que as buscas por sobreviventes seguem como prioridade. O governo também anunciou a mobilização de grupos especializados em busca e salvamento, além do uso de maquinário pesado para a remoção de destroços. Um fundo de reconstrução foi anunciado para atender hospitais, residências e estruturas públicas danificadas.
Os efeitos dos terremotos ultrapassaram as fronteiras da Venezuela. Tremores foram percebidos em áreas da Colômbia e também repercutiram em regiões do Caribe, como Aruba, Curaçao e Bonaire. No Brasil, moradores de estados da Região Norte relataram ter sentido os abalos, o que levou à evacuação preventiva de alguns prédios.
O Centro de Alerta de Tsunami chegou a emitir comunicado para áreas do Caribe após o primeiro grande tremor, mas os alertas foram posteriormente reavaliados. Mesmo assim, autoridades reforçam que a população deve evitar áreas de risco, prédios danificados e encostas instáveis, já que novas réplicas podem ocorrer nos próximos dias.
A tragédia também provocou reação internacional. Países das Américas, da Europa e da Ásia anunciaram disposição para enviar equipes de resgate, suprimentos médicos e ajuda humanitária. O Brasil acompanha a situação por meio do Itamaraty e mantém canais abertos para eventual apoio.
O terremoto expõe, mais uma vez, a vulnerabilidade da Venezuela diante de grandes eventos sísmicos. Localizado em uma zona de encontro entre placas tectônicas, o país já enfrentou abalos históricos. Agora, a prioridade é salvar vidas, atender os feridos e avaliar a dimensão real dos danos deixados por uma das maiores sequências sísmicas já registradas no território venezuelano.